Lições do Silêncio

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Uma pergunta simples, mas inquietante: o que aprendi com o silêncio? Não é plenamente comunicável vivências tão profundas e secretas como a que realizei permanecendo um ano em silêncio… Nem sempre encontramos palavras adequadas para se referir a vida interior. No entanto, permitam-me balbuciar algumas palavras, mesmo que às vezes pareçam enigmáticas, são a tentativa de expressar um pouco aquilo que aprendi nessa experiência eremítica

Aprendi a…

A contemplar ir além da aparência, chegando na essência de cada coisa criada e desde ali estabelecer uma relação de comunhão.

Que minhas mãos vazias não são apenas sinais de minha pobreza, mas é a condição necessária para acolher a plenitude que vem de Deus.

Quando a mente não está cerceada por uma série de informações e barulhos emerge com mais nitidez sua capacidade criativa.

O sentinela é o primeiro que contempla o novo amanhecer, nem todos vêem o que ele vê, mas nem por isso dúvida do que seus olhos contemplam. Ele é o primeiro a contemplar a luz do novo dia.

Somos mais nós mesmos à medida que não reagimos impulsivamente aos estímulos alheios. Silenciar, meditar, acolher, agir… Esse parece ser o itinerário para uma vida autêntica.

Os pensamentos nos lançam em um passado já consumado ou em um futuro ainda por vir. Nosso empenho é de estar todo inteiro no momento presente.

Nada que seja profundo e durador acontece de forma imediata. Estabelecer processos e valorizar cada fase da vida parece ser essencial.

Individualizar as pessoas e todos os seres criados. Cada ser é único, singular, irrepetível, por a nossa relação com todos os seres deve levar em consideração essa verdade.

Não escravizar o outro aos meus sentimentos. O princípio básico do amor é a liberdade, tanto quem ama como quem é amado, precisa manter a sua liberdade.

Tomar conhecimento de uma Presença que plenifica para descobrir a realidade última e transcendente da existência.

Retornar sempre ao meu centro mais profundo, mesmo em meio as diversas atividades, não dispersar a mente e o coração, mantendo-o unificado.

  Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

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Estimados irmãos e irmãs contemplativos

Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

                       Ao aproximar-nos do Mistério Pascal sentimo-nos como diante de uma imensa fonte com água abundante e cristalina. Não nos é possível beber toda essa água, a fonte é maior e o recipiente que trazermos é muito limitado. O que podemos absorver desse mistério é muito limitado, mas o suficiente para sentir-nos “transbordar” de alegria e de paz. Se permanecermos constantemente diante dessa fonte, poderemos saciar-nos a cada momento, por isso, como peregrinos que alcançaram a sua meta, detenhamo-nos nesse Mistério, não tenhamos receio de aqui fincar nossas tendas, pois é nessa fonte que toda a criação é redimida e renovada.

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O que é um retiro espiritual?

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O que é um retiro? O retiro é, ao mesmo tempo, um momento de busca e de encontro. Ensina-nos Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousarem Ti”.

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O Contemplativo

El abandono en Dios

Se fossemos perguntar a um contemplativo o porquê de ele ter se distanciado das pessoas e se afastado do mundo ficaria perplexo com este questionamento. O fato é que ele não vê a sua opção pela solidão dessa forma. Ao contrário, ele sente-se unido a toda a humanidade e a toda a criação e, se relaciona com cada ser de uma maneira nova e profunda. Para ele, a contemplação, é o instrumento que lhe permite chegar a comunhão espiritual. Ele sente-se profundamente unido a todos e traz em seu coração a compaixão pelo sofrimento universal.

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