Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

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Estimados irmãos e irmãs contemplativos

Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

                       Ao aproximar-nos do Mistério Pascal sentimo-nos como diante de uma imensa fonte com água abundante e cristalina. Não nos é possível beber toda essa água, a fonte é maior e o recipiente que trazermos é muito limitado. O que podemos absorver desse mistério é muito limitado, mas o suficiente para sentir-nos “transbordar” de alegria e de paz. Se permanecermos constantemente diante dessa fonte, poderemos saciar-nos a cada momento, por isso, como peregrinos que alcançaram a sua meta, detenhamo-nos nesse Mistério, não tenhamos receio de aqui fincar nossas tendas, pois é nessa fonte que toda a criação é redimida e renovada.

            O olhar contemplativo, ao qual estamos chamados, nos permite assombrar-nos diante desse mistério. As palavras humanas não conseguem expressar a experiência do transcendente que se manifesta a nós nesse Mistério Pascal. Talvez o silêncio seja a melhor maneira para proclamar que estamos diante de algo sagrado. Porém, é o próprio Deus que rompe esse silêncio infundindo em nossos corações verdades eternas expressas pelo seu Filho Jesus Cristo.

            A sentença formulada por São João da Cruz elucida esse Mistério “Uma palavra falou o Pai, que foi o seu Filho e, esta fala sempre no eterno silêncio e no silêncio foi ouvido pela alma” (Ditos 98). O silêncio contemplativo frente ao Mistério Pascal nos coloca em contato com o Filho de Deus, que na ressurreição decreta a sentença final contra o pecado e a morte. No silêncio do nosso coração, por vezes visitado pelas trevas do pecado acolhemos a luz nova e o “Aleluia” proclamação da vitória e da vida nova em Cristo Jesus.

            As festas pascais devem levar-nos a essa certeza: Cristo Ressuscitou, está vivo no meio de nós e nos trouxe o dom da salvação eterna. Talvez nossa vida contemplativa tenha exatamente essa missão, ser uma parábola da salvação já alcançada por Jesus. Viver a vida nova dos filhos de Deus, como homens e mulheres novos, que traz no seu íntimo a doce e desconcertante certeza da ressurreição futura. Nossa vida tornará uma bela parábola se de fato estruturarmos nossa existência a partir da Ressurreição. Viver o tempo presente a partir de uma salvação que já foi conquistada por Cristo, mas que precisa ser assumida no dia-a-dia, essa é a nossa missão. Assim nosso viver será um esboço, ainda que limitado e falho, mas já indicando aquilo que será na eternidade.

            Irmãos e irmãs, deixemos que Deus rompa o nosso silêncio contemplativo com o “Aleluia” e a Proclamação da Páscoa, que a alegria do Ressuscitado contagie todos os dias de nossa existência. Que esta abundante fonte, que é o Mistério Pascal, sacie-nos plenamente. Enfim, que a cada dia proclames a Ressurreição do Senhor com a tua vida. Amém. Aleluia. Amém.

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O que é um retiro espiritual?

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O que é um retiro? O retiro é, ao mesmo tempo, um momento de busca e de encontro. Ensina-nos Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousarem Ti”.

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O Contemplativo

El abandono en Dios

Se fossemos perguntar a um contemplativo o porquê de ele ter se distanciado das pessoas e se afastado do mundo ficaria perplexo com este questionamento. O fato é que ele não vê a sua opção pela solidão dessa forma. Ao contrário, ele sente-se unido a toda a humanidade e a toda a criação e, se relaciona com cada ser de uma maneira nova e profunda. Para ele, a contemplação, é o instrumento que lhe permite chegar a comunhão espiritual. Ele sente-se profundamente unido a todos e traz em seu coração a compaixão pelo sofrimento universal.

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