Disposições para fazer um bom retiro

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É preciso encarar esse retiro não apenas como um evento “cronológico”, mas “kairológico”, ou seja, não devemos encará-lo apenas como um evento histórico, mas como um momento propício da graça de Deus.

Tal percepção permite que estejamos dispostos a acolher a graça de Deus que quer se manifestar a nós. Podemos rezar juntos com o salmista e dizer: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!” (Sl 117, 24).

O retiro é também um momento “teofânico”, momento em que Deus se manifesta a nós. É um tempo de graça, de intensa ação do Espírito Santo. Isso exige de nossa parte abertura à ação de Deus.

Todo o nosso empenho está em nos “dispor” para receber a graça de Deus que se derrama em nossos corações com grande abundancia.

Ensina-nos São João da Cruz: “assim como o sol madruga para entrar em tua casa, se lhes abres a janela, assim Deus entrará e encherá de bens divinos a alma vazia” (Ch 3,46).

Em outra parte João da Cruz afirma: “Deus é como uma fonte, na qual cada um recolhe a água conforme o seu recipiente” (2S 21,2)

O melhor ponto de partida para fazer um retiro não é o que eu gostaria de estar, mas sim, aquele que eu estou. Devemos partir sempre do real e não do ideal. O ponto de partida deve ser um ponto concreto. Esse ponto sou eu, com minhas dúvidas, certezas, tribulações, tristezas, alegrias, angústias, esperanças…

No retiro somos desafiados a entrar em nosso castelo interior, não só para perceber nossas limitações e pecados, mas para reconhecer a vida divina em nós e o imenso dom da presença de Deus em nosso interior

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O que é um retiro espiritual?

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O que é um retiro? O retiro é, ao mesmo tempo, um momento de busca e de encontro. Ensina-nos Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousarem Ti”.

O mesmo Agostinho nos instrui: “Buscou? Então já encontrou. Não se esqueça de que encontrar consiste em buscar”. No desejo já temos, em parte, a posse do objeto almejado.

O retiro é um momento de distanciar-se para aproximar-se. No retiro nos distanciamos fisicamente de nossa vida cotidiana. Esse distanciamento não é fuga da realidade, mas uma tentativa de ampliar o nosso campo de visão.

O retiro é um tempo propício para o recolhimento interior. Recolher-se é centrar os sentidos naquilo que há no íntimo de nós. O retiro nos ajuda a superar a fragmentação em que vivemos e a buscar o sentido unitário da vida que só poderá ser encontrado em Deus.

O retiro é uma ocasião profunda de conversão. Nele temos a oportunidade de repensar sobre a nossa vida, sobre a nossa vocação. E o momento de recordar o primeiro amor e trazer presente aquela experiência fundante que originou o nosso seguimento a Jesus Cristo.

No retiro é imprescindível o silêncio. O silêncio não é um condicionamento para Deus falar, mas sim, uma condição para podermos escutar a voz de Deus. É o silêncio que nos permite entrar em sintonia com Deus.

A dificuldade em estar sozinho e fazer silêncio pode estar indicando a dificuldade que temos em nos relacionar conosco mesmos. Quando fazemos silêncio temos a oportunidade de entrar em contato com as camadas mais profundas da nossa psique humana,

O silêncio nos permite descer ao porão do nosso inconsciente e verificar quantos entulhos guardamos durante a nossa vida.

O silêncio nos permite acolher todas as coisas com um olhar contemplativo, não nos detendo nas aparências mas buscando sempre sua essência.

Tomemos como modelo de silêncio a São José. Ele passa pelo Evangelho sem dizer uma palavra sequer. Porém, busca em tudo concretizar a vontade de Deus. São José é o grande exemplo de contemplativo, pois no seu silencio de uma vida simples busca em tudo fazer o que Deus lhe pede.

O silencio nos abre para acolher a presença divina, que como dizia Santa Teresa: “Ele é presença constante e se comunica a nós”.