Pessoas orantes

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Muito mais do que “fazer oração” Deus nos quer “pessoas orantes”. Por isso nossa oração deve ultrapassar o tempo que a ela dedicamos concretamente para contagiar toda a nossa vida.

Como seres humanos que somos, estamos limitados ao tempo e ao espaço, por isso, como comunidade cristã, precisamos estabelecer um tempo e um espaço concreto para rezarmos, porém, nossa oração deve se prolongar durante todo o nosso dia.

Quem verdadeiramente ama em tudo o que faz e em todos os lugares lembra-se da pessoa amada, dizia Santa Teresa. E Santa Teresa dos Andes dizia a respeito de sua vida: “minha vida é uma oração contínua”. Esse ideal de quem vive constantemente na presença de Deus é o ideal dos Seculares Contemplativos.

Somente o ramo que permanece unido à videira é capaz de dar frutos, assim também nós se não permanecemos unidos a Cristo não poderemos dar frutos (Jo 15,4). É insensatez nossa pensar que os frutos provenham do nosso esforço humano. É Deus quem torna fecundo o nosso ministério e o nosso trabalho. Esse é um ato de fé que precisamos cultivar em nossos corações.

Permanecer ligados a Jesus para receber a seiva que circula no seu Corpo Místico que é a Igreja. Como o apóstolo Paulo podemos dizer: “eu plantei, Apolo regou, mas quem fez crescer é Deus” (1Cor 3,6). É preciso crer no primado da graça, sem isentar-nos do nosso compromisso de acolher e corresponder a graça recebida.

 

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Permanecei em mim e Eu permanecerei em vós

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Qual é o fundamento de toda a vida espiritual e cristã? O apóstolo Paulo, com uma clareza ímpar, nos ensina: “Ninguém pode colocar um fundamento diferente daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,11). O fundamento é Jesus Cristo com sua vida, doutrina e missão. Nosso fundamento não é um conjunto de verdades que professamos, mas uma pessoa com a qual nos relacionamos.

No início do ser cristão está o encontro com Jesus Cristo, não é qualquer encontro, é um encontro decisivo, que dá um novo sentido à vida e um novo horizonte. Acontece uma verdadeira metanóia, transformação ontológica, pois envolve todo o ser.

Não há como progredirmos na vida espiritual sem compreendermos que a espiritualidade é uma relação entre duas pessoas: Deus e nós. Deus não é um conceito que eu apreendo com meu estudo e com meu intelecto, Deus é um Tu com o qual me relaciono. Como todo e qualquer relacionamento também o relacionamento com Deus tem suas exigências. Uma delas é a exigência da presença.

Nesse caso, a presença é estar com Aquele que meu coração ama, com Aquele no qual meu coração e minha carne se alegram, no Deus vivo (Sl 84,3).

A oração é esse encontro entre dois seres que se amam e que se desejam. Pois como diz São João da Cruz: “Se é verdade que o homem procura a Deus é bem mais verdade que Deus procura o homem”. Não sou eu que apenas desejo estar com Deus, mas Deus que também deseja estar comigo. Por isso, Santo Agostinho define a oração como “o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele”.

Para Teresa de Jesus a oração é uma questão de amor, por isso sugere: “a oração não consiste em pensar muito, mas em amar muito”. Por isso, “tudo que ajuda a amar, isso fazei”.

O evangelista João utiliza um verbo muito singular para explicar que tipo de presença é essa. O verbo empregado por João é “permanecer”. Jesus diz: “permanecei em mim, como eu em vós” (Jo15,4).

Estar inteiramente unido a Ele, como Ele está inteiramente unido a nós. São duas realidades que precisamos tomar consciência: nós estamos em Deus e Deus está em nós.

Duas imagens nos ajudam a adentrar nesse mistério: o castelo interior, que lembra a dimensão que somos habitados por Deus e o oceano de amor, que me recorda que sou uma pequena gota d´agua emersa no oceano da misericórdia de Deus.

Assim, o Secular Contemplativa, ao mesmo tempo que adentra ao castelo interior, descobre-se imerso no amor de Deus.

A oração é estar com Ele a sós

IMG-20161027-WA0039O convite que Deus nos faz hoje é de reavivar essa centelha inspiradora que ardia em nossos corações no início de nossa vocação. Retoma o teu primeiro amor!

Como manter a jovialidade do amor? Precisamos esclarecer que o amor, ao longo dos anos, pode encontrar maneiras diferentes de se manifestar. Isso não quer dizer que tenha perdido a sua vivacidade.

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Disposições para fazer um bom retiro

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É preciso encarar esse retiro não apenas como um evento “cronológico”, mas “kairológico”, ou seja, não devemos encará-lo apenas como um evento histórico, mas como um momento propício da graça de Deus.

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O que é um retiro espiritual?

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O que é um retiro? O retiro é, ao mesmo tempo, um momento de busca e de encontro. Ensina-nos Santo Agostinho: “Fizeste-nos Senhor para Ti e inquieto está o nosso coração enquanto não repousarem Ti”.

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Com minhas mãos vazias

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Quando inicio a oração, depois de me fazer consciente da presença da Santíssima Trindade que habita em mim, me coloco de mãos abertas. Este pequeno gesto orante me põem em contato com a minha pobreza habitual. Diante de Deus, de seu imensurável amor, tomo consciência do meu nada, de que sou criatura. E, portanto, necessito Dele. A lembrança da minha pobreza não me lança num pessimismo, mas me faz voltar para àquele que é rico em misericórdia. Então minha oração flui como um rio e meu desejo mais profundo se expressa numa singela prece: “sou pobre, não sei amar, ama em mim Senhor”.

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O Contemplativo

El abandono en Dios

Se fossemos perguntar a um contemplativo o porquê de ele ter se distanciado das pessoas e se afastado do mundo ficaria perplexo com este questionamento. O fato é que ele não vê a sua opção pela solidão dessa forma. Ao contrário, ele sente-se unido a toda a humanidade e a toda a criação e, se relaciona com cada ser de uma maneira nova e profunda. Para ele, a contemplação, é o instrumento que lhe permite chegar a comunhão espiritual. Ele sente-se profundamente unido a todos e traz em seu coração a compaixão pelo sofrimento universal.

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Escola de Contemplação

Desead la paz

Uma das primeiras atividades humanas é a contemplação, sem que sejamos conscientes vamos apreendendo o modo de relacionar-nos com as pessoas e com as coisas a partir de uma contemplação silenciosa. É contemplando a constante presença e afabilidade de sua mãe que o recém-nascido intui que ela lhe ama. Esta contemplação silenciosa e intuitiva permite relacionar-se de maneira nova e profunda com cada pessoa e com cada coisa criada. Essa habilidade que é conatural a constituição humana precisa ser orientada para o seu pleno desenvolvimento.

O contexto sociocultural em que vivemos não favorece para o cultivo desse olhar contemplativo, por isso, faz-se necessário escolas de contemplação. Nosso intuito é ajudar a vivenciar a dimensão cristã da contemplação na vida secular, em meio aos compromissos e atividades diários. Nossa espiritualidade se alicerça na mística carmelitana e nos ensinamentos dos seus grandes mestres Teresa de Jesus, João da Cruz e Teresinha do Menino Jesus.