Escola de Contemplação

Desead la paz

Uma das primeiras atividades humanas é a contemplação, sem que sejamos conscientes vamos apreendendo o modo de relacionar-nos com as pessoas e com as coisas a partir de uma contemplação silenciosa. É contemplando a constante presença e afabilidade de sua mãe que o recém-nascido intui que ela lhe ama. Esta contemplação silenciosa e intuitiva permite relacionar-se de maneira nova e profunda com cada pessoa e com cada coisa criada. Essa habilidade que é conatural a constituição humana precisa ser orientada para o seu pleno desenvolvimento.

O contexto sociocultural em que vivemos não favorece para o cultivo desse olhar contemplativo, por isso, faz-se necessário escolas de contemplação. Nosso intuito é ajudar a vivenciar a dimensão cristã da contemplação na vida secular, em meio aos compromissos e atividades diários. Nossa espiritualidade se alicerça na mística carmelitana e nos ensinamentos dos seus grandes mestres Teresa de Jesus, João da Cruz e Teresinha do Menino Jesus.

 

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Pessoas orantes

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Muito mais do que “fazer oração” Deus nos quer “pessoas orantes”. Por isso nossa oração deve ultrapassar o tempo que a ela dedicamos concretamente para contagiar toda a nossa vida.

Como seres humanos que somos, estamos limitados ao tempo e ao espaço, por isso, como comunidade cristã, precisamos estabelecer um tempo e um espaço concreto para rezarmos, porém, nossa oração deve se prolongar durante todo o nosso dia.

Quem verdadeiramente ama em tudo o que faz e em todos os lugares lembra-se da pessoa amada, dizia Santa Teresa. E Santa Teresa dos Andes dizia a respeito de sua vida: “minha vida é uma oração contínua”. Esse ideal de quem vive constantemente na presença de Deus é o ideal dos Seculares Contemplativos.

Somente o ramo que permanece unido à videira é capaz de dar frutos, assim também nós se não permanecemos unidos a Cristo não poderemos dar frutos (Jo 15,4). É insensatez nossa pensar que os frutos provenham do nosso esforço humano. É Deus quem torna fecundo o nosso ministério e o nosso trabalho. Esse é um ato de fé que precisamos cultivar em nossos corações.

Permanecer ligados a Jesus para receber a seiva que circula no seu Corpo Místico que é a Igreja. Como o apóstolo Paulo podemos dizer: “eu plantei, Apolo regou, mas quem fez crescer é Deus” (1Cor 3,6). É preciso crer no primado da graça, sem isentar-nos do nosso compromisso de acolher e corresponder a graça recebida.

 

Permanecei em mim e Eu permanecerei em vós

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Qual é o fundamento de toda a vida espiritual e cristã? O apóstolo Paulo, com uma clareza ímpar, nos ensina: “Ninguém pode colocar um fundamento diferente daquele que já foi posto: Jesus Cristo” (1Cor 3,11). O fundamento é Jesus Cristo com sua vida, doutrina e missão. Nosso fundamento não é um conjunto de verdades que professamos, mas uma pessoa com a qual nos relacionamos.

No início do ser cristão está o encontro com Jesus Cristo, não é qualquer encontro, é um encontro decisivo, que dá um novo sentido à vida e um novo horizonte. Acontece uma verdadeira metanóia, transformação ontológica, pois envolve todo o ser.

Não há como progredirmos na vida espiritual sem compreendermos que a espiritualidade é uma relação entre duas pessoas: Deus e nós. Deus não é um conceito que eu apreendo com meu estudo e com meu intelecto, Deus é um Tu com o qual me relaciono. Como todo e qualquer relacionamento também o relacionamento com Deus tem suas exigências. Uma delas é a exigência da presença.

Nesse caso, a presença é estar com Aquele que meu coração ama, com Aquele no qual meu coração e minha carne se alegram, no Deus vivo (Sl 84,3).

A oração é esse encontro entre dois seres que se amam e que se desejam. Pois como diz São João da Cruz: “Se é verdade que o homem procura a Deus é bem mais verdade que Deus procura o homem”. Não sou eu que apenas desejo estar com Deus, mas Deus que também deseja estar comigo. Por isso, Santo Agostinho define a oração como “o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele”.

Para Teresa de Jesus a oração é uma questão de amor, por isso sugere: “a oração não consiste em pensar muito, mas em amar muito”. Por isso, “tudo que ajuda a amar, isso fazei”.

O evangelista João utiliza um verbo muito singular para explicar que tipo de presença é essa. O verbo empregado por João é “permanecer”. Jesus diz: “permanecei em mim, como eu em vós” (Jo15,4).

Estar inteiramente unido a Ele, como Ele está inteiramente unido a nós. São duas realidades que precisamos tomar consciência: nós estamos em Deus e Deus está em nós.

Duas imagens nos ajudam a adentrar nesse mistério: o castelo interior, que lembra a dimensão que somos habitados por Deus e o oceano de amor, que me recorda que sou uma pequena gota d´agua emersa no oceano da misericórdia de Deus.

Assim, o Secular Contemplativa, ao mesmo tempo que adentra ao castelo interior, descobre-se imerso no amor de Deus.

O Cotidiano de Maria de Nazaré

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O livro “O Cotidiano de Maria de Nazaré” pertence ao gênero das obras literárias que deveriam ser lidas de “joelho no chão”, pois conduzi-nos a meditar e a representar em nossa imaginação como seria a vida de uma jovem judia, em um pequeno povoado da Galiléia, nos primeiros séculos da era cristã. Espantamos-nos quando tomamos consciência de que Maria levou uma vida igual à de nossas mães, preocupada com a lida da casa e com o bem estar dos membros de sua família. De fato, a Mãe de Jesus viveu como vive a maioria do povo. Ela partilhou as humildes condições de vida de milhões e milhões de dona-de-casa.

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Cartar as misericórdias do Senhor

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Nesse domingo da Festa da Misericórdia oferecemos ao nosso leitor algumas citações de Santa Teresa de Jesus a respeito desse tema extraído do Livro da Vida

“Isto manifesta ainda mais quem sois Vós, Esposo meu, e quem sou eu. Pois é verdade que muitas vezes o sentimento de minhas grandes culpas é temperado pelo contentamento que me dá a compreensão da multiplicidade das Vossas Misericórdias” (V 4,3).

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  Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

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Estimados irmãos e irmãs contemplativos

Aleluia! Jesus Cristo ressuscitou! Aleluia!

                       Ao aproximar-nos do Mistério Pascal sentimo-nos como diante de uma imensa fonte com água abundante e cristalina. Não nos é possível beber toda essa água, a fonte é maior e o recipiente que trazermos é muito limitado. O que podemos absorver desse mistério é muito limitado, mas o suficiente para sentir-nos “transbordar” de alegria e de paz. Se permanecermos constantemente diante dessa fonte, poderemos saciar-nos a cada momento, por isso, como peregrinos que alcançaram a sua meta, detenhamo-nos nesse Mistério, não tenhamos receio de aqui fincar nossas tendas, pois é nessa fonte que toda a criação é redimida e renovada.

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Olhar de Misericórdia

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Por meio do olhar somos capazes de transmitir muitos dos nossos sentimentos, por meio do olhar podemos sentir se a outra pessoa está nos acolhendo ou desprezando, por meio do olhar expresso a minha simpatia ou antipatia a respeito de alguém.

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Testemunho credível da vivência da fé

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A vida do Secular Contemplativo aponta para Jesus, pois Ele é o caminho no qual encontramos a verdade e a vida.

Como dizia o Papa Paulo VI na Exortação Evangelii Nuntiandi: “O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou então se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas” (EN 41). O que os nossos contemporâneos esperam de nós é um testemunho credível da vivencia de nossa fé.

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Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração

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O tema de hoje nos remete a uma profecia ao povo de Israel: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com conhecimento e prudência” (Jr 3,15).

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As virtudes de um contemplativo

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O objetivo de Santa Teresa era fundar comunidades fraternas e orantes, por isso propõem uma elevada meta comunitária: “aqui todas han de ser amigas, todas han de se amar, todas han de se querer, todas han de se ajudar” (C 4,7).

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O outro é sempre um mistério do amor de Deus

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O outro é sempre um mistério, diante do qual preciso “tirar minhas sandálias” (Ex 3,5), pois é terra santa, solo sagrado. Portanto, merece o meu respeito e acolhida.

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